Os 10 melhores Filmes de 2025

Os 10 melhores Filmes de 2025

À medida que fui montando esta lista de melhores filmes, percebi uma coincidência que acabou atravessando boa parte das escolhas: muitos deles colocam as relações familiares no centro de suas narrativas. Às vezes com foco nas mães; em outras, nas interações entre pais, filhos e irmãs; e até naquelas situações em que se escolhe viver ao lado de uma família que não é, necessariamente, a sua.

Ao mesmo tempo, alguns desses filmes também lidam com questões morais, especialmente ao confrontar regimes autoritários que retiram liberdades de seus cidadãos em diferentes níveis, quase sempre com o objetivo de provocar divisão. Ainda assim, muitas dessas histórias encontram desfechos esperançoso, enxergando no futuro algo que talvez ainda não consigamos reconhecer plenamente — mas que está lá.

É possível que você sinta falta de algum título fora da lista, como Hamnet, de Chloé Zhao, ou o sul-coreano A Única Saída, do mestre Park Chan-wook. Como esses filmes ainda não estrearam no Brasil — nem passaram por festivais como a Mostra de São Paulo, o Festival do Rio ou o Festival de Gramado —, acabei deixando-os de fora e priorizando apenas obras que chegaram ao país, seja nos cinemas (ainda que de forma limitada), seja via streaming.

Dito isso, o cinema, com o poder que as imagens em movimento carregam, segue sendo um espaço privilegiado para se deixar levar para outro lugar e escapar dos problemas — ou, ao menos, colocá-los de lado por um tempo e retornar a eles revigorado. Para mim, é isso que, em grande parte, esses dez filmes representaram em 2025: um ano em que, mais do que nunca, recorri ao cinema como um refúgio de sossego e calma.

Confira primeiro duas menções honrosas. Na sequência, a lista dos dez filmes de 2025:

Menções Honrosas: April / A Hora Do Mal

Dois filmes chamaram minha atenção para além dos dez melhores que assisti em 2025, e não tive como deixá-los de fora deste texto. Eles entram aqui como recomendações extras, para você também tentar assistir.

O primeiro é April (foto à esquerda), disponível no MUBI, dirigido por Dea Kulumbegashvili (Beginning). O filme constrói um retrato chocante e violento de Nina, uma obstetra que passa a ser investigada após a morte de um bebê minutos depois do parto.

Nina é conhecida por distribuir pílulas anticoncepcionais em vilarejos afastados dos grandes centros e também por realizar abortos considerados ilegais pela legislação da Geórgia. April é um filme pouco convencional, marcado por longos silêncios e por imagens que, em alguns momentos, beiram o surrealismo, enquanto em outros atingem o espectador em cheio, causando repulsa e desconforto. Nina é claramente a heroína da história, mas é fundamental que Dea Kulumbegashvili a apresente como uma mulher frágil, lidando com conflitos cotidianos e enfrentando o escrutínio de uma investigação que coloca à prova sua competência como médica. É um filme difícil de assistir — e esse desconforto faz parte da proposta.

A Hora do Mal (foto à direita) foi outro título que quase entrou na lista. Dirigido por Zach Cregger (Noites Brutais), o filme acompanha o misterioso desaparecimento de 17 crianças — todas da mesma turma. A narrativa se desenvolve muito bem na primeira metade, ao oferecer diferentes perspectivas dos personagens afetados pelo caso. No entanto, quando o mistério é resolvido de maneira relativamente simples, confesso que A Hora do Mal perde parte de seu charme e acaba escorregando para um terreno já conhecido dentro do gênero. Ainda assim, foi uma grata surpresa do ano e vale a conferida — especialmente para quem lida bem com alguns sustos pelo caminho.

Agora vamos à lista:


10. Sonhos de Trem

Esse filme de Clint Bentley me pegou desprevenido. Eu não esperava a força dele, mas a verdade é que o personagem vivido por Joel Edgerton passa por momentos de pura alegria e tristeza brutal, daquelas que você acha que não é possível se recuperar. Algumas frases no filme ficaram comigo por semanas, quase como um looping na minha cabeça. Além disso, Sonhos de Trem conta com uma fotografia belíssima assinada pelo brasileiro Adolpho Veloso. Mas, para além de outras questões técnicas que o filme atinge, Sonhos de Trem adota um tom poético do início ao fim para também falar sobre traumas – só que aqui ambientado em um outro tempo no mundo.


 

09. Sorry, Baby

Estreia na direção de Eva Victor, que também assina o roteiro e é a protagonista, Sorry, Baby ganhou o prêmio de Melhor Roteiro no Festival de Sundance de 2025 e acompanha a professora universitária Agnes tentando reconstruir a vida após um trauma sexual. O grande trunfo de Eva Victor nesse filme é a sua abordagem com a história. Há um equilíbrio preciso entre a comédia e o drama como pouco se vê. E é impressionante como ela consegue sair do cômico, falando com o seu gato enquanto compra coisas na loja de conveniência, para algo pesado quando olha para o caixa e pensa ter visto o seu agressor. É íntimo, delicado e honesto em cada quadro.


08. Nouvelle Vague

O diretor Richard Linklater nos transporta diretamente para a Paris do final dos anos 50 e início dos 60, quando o movimento francês Nouvelle Vague despontava com um dos mais anárquicos e admirados do momento. A influência ultrapassou gerações e continua ressoando até os dias atuais. E nesse filme, Linklater captura o glamour daquela época e a mística em torno de figuras como Godard, Truffaut, Chabrol, Varda, Demy, dentre outros. O foco aqui é em Godard e sua estreia com a obra-prima Acossado. Nouvelle Vague conta os bastidores da produção, sem que ninguém se dando conta de que aquele filme se transformaria em um marco. Nouvelle Vague conta também com grandes atuações, sendo uma narrativa do quanto a arte do cinema é apaixonante.


07. Pecadores

É difícil que histórias sobre vampiros saiam daquele lugar comum dos efeitos sobrenaturais que, a essa altura, já estamos cansados de saber como funciona. Mas Pecadores não é inteiramente sobre isso, porque a primeira parte do filme acompanhamos irmãos gêmeos, Smoke e Stack, retornando à cidade natal depois de muito dinheiro que ganharam trabalhando como gângsteres. O desejo deles é abrir um clube onde a sua gente possa se divertir e ouvir um bom blues. Por si só, essa trama já tinha me conquistado. Quando todo o lance sobrenatural começa, ainda que soe menos interessante, o diretor Ryan Coogler consegue prender a atenção com as boas sequências de ação, o uso bem colocado da música e, principalmente, traz a cultura africana, suas lendas e seu folclore para dentro da história.


06. Sirāt

Sirãt, novo filme dirigido por Oliver Laxe, é uma história de sobrevivência. Mas que não começa assim. Pelo contrário: o filme engana a audiência achando que iremos acompanhar o pai e o filho em sua busca para encontrar a filha/irmã que fugiu de casa, Para isso, eles vão juntos a uma rave que está acontecendo em algum lugar do Deserto do Saara, mais precisamente na região do Marrocos. Mas quando o Exército local interrompe a festa e pede para todos levantarem acampamento e retirarem os equipamentos por conta de uma guerra que se iniciou, eles seguem um grupo para outra rave. E é aqui que Sirãt realmente se passa, nessa história que lembra um road movie no estilo de Mad Max. Como se pode imaginar, uma série de reviravoltas acontecem no caminho e todas elas causam uma grande surpresa. Enquanto Sirãt preenchia a tela com algum senso de esperança no início do filme, quando chegamos ao final parece que estamos tão extenuados quanto aquelas pessoas (pelo menos, as que sobraram).


05. Jovens Mães

Os irmãos Dardenne, Jean-Pierre e Luc, desenvolveram ao longo dos anos uma filmografia marcada por uma crítica social constante — muitas vezes comparada ao trabalho do britânico Ken Loach. Para além disso, seu cinema é reconhecido por uma estética própria: câmera na mão, olhar observacional, trabalho frequente com atores não profissionais e as ruas como cenários e pano de fundo. É justamente tudo isso que encontramos em Jovens Mães, que oferece um olhar afetuoso e acolhedor ao acompanhar cinco jovens mães, cada uma em um estágio diferente nesse processo, em suas lutas e conflitos diários enquanto navegam e tentam compreender a maternidade.


04. Foi Apenas um Acidente

Há uma fúria pulsante e contagiante em Foi Apenas um Acidente, novo filme do diretor iraniano Jafar Panahi que, apesar da censura no seu país, continua desafiando o regime. Dá para dizer que seus filmes são verdadeiros milagres. E, assim, filmando novamente na clandestinidade como já fez tantas vezes (Isto Não ´É Um Filme e Táxi Teerã, só para citar os mais recentes), Panahi usa como referência as próprias histórias que ele escutou durante o tempo em que esteve preso com outros detentos políticos, por assim dizer, para criar uma história que fala sobre a memória quando se é interrogado, torturado e como isso transforma completamente o ser humano fazendo até mesmo se questionar: será que conseguimos ser ruins como essas pessoas são?


 

03. O Agente Secreto

O curioso de O Agente Secreto, esse belo filme dirigido e escrito por Kleber Mendonça Filho, é que o herói da história, Marcelo (interpretado por Wagner Moura), não é nenhum agente secreto de verdade mas precisa viver como tal. É isso que acompanhamos no filme, ambientado na época da ditadura, dos personagens falando baixo e tendo atenção com receio de estarem sendo perseguidos de alguma maneira. A sombra desse regime autoritário está presente em cada quadro de O Agente Secreto, uma obra que também reforça a importância de falar sobre esse tema com o objetivo de preservar a (também) memória de momentos obscuros do país enquanto a enfrenta.


02. Valor Sentimental

Uma das coisas que mais chamam atenção em Valor Sentimental é a honestidade. E não daria para ser diferente quando o assunto é relações familiares e suas complexidades. Mas já vi essa história dar errado muitas vezes. Mas aqui, nas mãos de Joachim Trier e tendo Renate Reinsve como protagonista, o diretor acerta em cheio. Além de Reinsve, vale destacar também as atuações de Inga e, claro, Skarsgard, ambos brilhantes em seus papeis. Valor Sentimental é um filme bem delicado, que resgata memórias e usa um outro personagem importantíssimo nisso: a casa onde essa família vive. Trier adota um tom contemplativo ao refletir sobre os traumas herdados por eles; mas consegue também achar humor no meio dessas interações caóticas. Valor Sentimental, até hoje, não sai da minha cabeça. Há sempre coisas novas para refletir. Por isso o cinema é tão lindo.


01. Uma Batalha Após a Outra

Paul Thomas Anderson passou quase vinte anos escrevendo esse filme. E o resultado é um filme espetacular, desses que daqui alguns anos chamaremos de “obra-prima”. É uma história sobre resistência com personagens enfrentando um governo autoritário nos Estados Unidos, que em muito se assemelha ao que testemunhamos atualmente. Mas, acima de tudo, Uma Batalha Após a Outra é uma narrativa sobre família, do desespero do pai em proteger a sua filha. O filme tem um ritmo impressionante em suas quase 3h de duração, sem quase nos dar tempo para sequer respirar. É como se segurássemos o ar no início e soltássemos apenas no final, com Uma Batalha Após a Outra nos empurrando de volta para essa dura realidade mas agora influenciados pelo entusiasmo de que, contra o autoritarismo, devemos permanecer unidos se de fato quisermos vencê-los.

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