“Rooster” aposta no conforto emocional de Bill Lawrence

“Rooster” aposta no conforto emocional de Bill Lawrence

O produtor Bill Lawrence, criador de séries como Scrubs, Ted Lasso e Shrinking, construiu, ao longo das décadas, um catálogo de produções que vai na contramão de protagonistas violentos ou de caráter duvidoso. Em vez disso, suas histórias costumam apresentar personagens que, no fim das contas, buscam deixar a audiência confortável — quase sempre com a sensação de que o mundo pode ser um pouco melhor do que parece.

Rooster, nova comédia da HBO assinada por ele ao lado de Matt Tarses, é mais um exemplo dessa abordagem em seu vasto catálogo. O protagonista da série é Greg Russo (Steve Carell), um autor relativamente famoso cujos livros acompanham o herói Rooster em diversas aventuras. São aqueles livros meio bobinhos, que se lê em uma única sentada e sem grande compromisso com a trama.

A série abre sua temporada — serão dez episódios no total — quando Greg chega à universidade onde sua filha, Katie (Charly Clive), trabalha como professora de história da arte e é casada com outro professor da mesma instituição. A aparição de Greg, no entanto, não acontece por acaso: ele está ali para oferecer o ombro de pai à filha, que acaba de descobrir uma traição do marido. A partir daí, as coisas começam a se complicar — mas não vale entrar em muitos detalhes para evitar spoilers.

Ao longo do episódio, vemos Greg entregar diversos discursos que, nas mãos de outro ator, poderiam facilmente soar artificiais ou excessivamente didáticos. Mas esse é justamente o efeito esperado quando se escala Steve Carell para um papel assim. Ele tem uma habilidade particular para transformar falas que poderiam soar como “lições de moral” em algo humano e natural. Carell interpreta Greg com tamanha leveza que parece estar tentando compreender aquele momento junto com o próprio espectador.

Esse é um dos pontos fortes de Rooster. Mas a série não se sustenta apenas em Carell. Quando ele divide cena com alguém como John C. McGinley — aqui interpretando o reitor da universidade, Walter Mann —, surge um contraste que não combina com a série. Walter carrega aquele ar de superioridade acadêmica que facilmente soa caricato, algo que a série claramente não deseja reforçar. Rooster parece mais interessada em mostrar pessoas lidando com suas fragilidades do que personagens que já possuem todas as respostas. No primeiro episódio, esse equilíbrio ainda não aparece completamente, mas há espaço para que ele se desenvolva ao longo da temporada.

De certa forma, Rooster também observa com ironia — muitas vezes através do próprio Greg — as picuinhas e fofoquinhas que alimentam o cotidiano universitário. Mas, em vez de assumir o tom mais combativo de séries como Cara Gente Branca, a série segue por um caminho mais leve, próximo do que vemos no recente filme Sorry, Baby, ainda que a história de Eva Victor trate de temas até mais complexos.

No fim, o que Rooster entrega é uma trama sentimental e afetuosa. Seja em tempos de guerra, de pandemia ou simplesmente em momentos de desgaste cotidiano, Bill Lawrence parece sempre encontrar uma maneira de oferecer à audiência um pequeno refúgio — nem que seja apenas por um breve instante.

Rooster (HBO Max, 2026)

Rooster (HBO Max, 2026)
3 5 0 1
3,0 rating
3/5
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