Ted Lasso é a comédia mais vibrante do momento

Após maratonar Ted Lasso (e terminar de assistir todos os episódios da série em um final de semana) pensei: “por que eu não comecei a ver essa série antes”? O burburinho ao redor de Ted Lasso tem explicação, disponível na Apple TV+, a série é mais do que um ótimo escapismo: leve, alegre, emotiva e às vezes hilária, é fácil aceitar que tenha recebido 20 indicações ao Emmy Awards de 2021. Passado o preconceito inicial de que seja mais um besteirol americano, é difícil não desejar se jogar no sofá, contar até 12 e gritar Richmond.

O personagem-título, Ted Lasso (Jason Sudeikis, um dos criadores), é um treinador de futebol americano juvenil nos Estados Unidos convidado para treinar um time inglês de futebol (o nosso) na Premier League. A desconfiança é mútua: da torcida aos jornalistas, incrédulos com a decisão da gerente Rebecca Welton (Hannah Waddingham), e do próprio Lasso, que chega acompanhado do seu assistente “Coach Beard” (Brendan Hunt, também co-criador) sem sequer saber regras básicas (o que é impedimento?) ou táticas. E para isso ele recorre ao roupeiro Nathan (Nick Mohammed), que o ajuda a construir jogadas e a motivar o time.

Porém, Ted Lasso não é sobre futebol, táticas, regras ou pegadinhas ensaiadas. Esse apenas é o mundo no qual a série está inserida que, claro, povoa com certos estereótipos que ajudam a dar o tom de descompromisso da série: tem o dono do time envolvido em polêmicas, tem o jogador mimado, tem o assessor de imprensa atrapalhado e tem Ted Lasso tendo que lidar com todos eles enquanto ainda atravessa um divórcio. É justamente aqui que a série encontra o equilíbrio entre a comédia contagiante e o maneirismo dramático.

Lições “a la” Ted Lasso

No meio desse balanço, Ted Lasso está repleta de frases “coach” que ouvimos por aí ditas, escritas pelos especialistas em liderança. Mas, por mais óbvias e piegas que algumas frases de Ted Lasso possam parecer, a verdade é que a série cria um ambiente para elas se encaixarem perfeitamente no momento. 

Como o peixinho-dourado, utilizado como metáfora para a superação, por Lasso, quando o time perde: sofra um dia pela derrota, mas depois esqueça e siga em frente. E tudo fica ainda mais palatável quando logo após um grande ensinamento vem uma piada patética em seguida, que quebra o clima, estrategicamente colocada para também soar como uma crítica.

Não surpreende a inteligência da série. Também co-criada por Bill Lawrence, o criador da ótima Scrubs (2001-2010), que usava também do mesmo formato no ambiente do Hospital do Coração Sagrado, — aliás, há uma pequena “Scrubs Reunion” em um dos episódios, roteirizado por Lawrence e dirigido por Zach Braff, a grande estrela de Scrubs.

Em time que está ganhando não se mexe?

Devaneios à parte, mas necessários para essa contextualização, um dos ditados mais comuns no esporte é que em time que está ganhando não se mexe. Mas após o surpreendente sucesso da 1ª temporada, a segunda temporada já começa com alterações que prometem manter o nível de qualidade.

Uma terapeuta “duas vezes melhor” que Lasso irá auxiliar o time nas questões psicológicas, o que promete provocar tensões e criar uma nova dinâmica que ainda não assistimos. A única coisa que esperamos da segunda temporada é que a série não perca o cinismo e o cômico, porque é tudo o que precisamos para dar uma escapadinha da realidade.

Vinícius Silva
Jornalista e mestre em Gerenciamento de Negócios Internacionais. É viciado em filmes e séries, e ama discutir sobre isso. Gosta de escutar podcasts e rever filmes de Martin Scorsese.

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