The Chair é diversão Netflix sem perder a qualidade

Em uma cena de The Chair, a maravilhosa Ju Ju (Everly Carganilla), filha de Kim (Sandra Oh), pergunta à mãe por que ela é uma doutora. Kim, cansada, vê ali uma oportunidade de aproximação com a filha e responde: “porque eu queria ler romance e poemas o máximo que eu pudesse”. “Mas por que você é uma doutora?”, a menina insiste, “Você nunca ajuda ninguém.”

A série criada por Amanda Peet e disponível na Netflix, é assim: hilária, absurda, realista, tenra e politicamente correta (como o momento pede). O pano de fundo é o dia a dia de uma professora-chefe do departamento de literatura, tentando driblar questões machistas e racistas do cargo, enquanto busca alcançar expectativas profissionais e pessoais (dela e dos outros).

Dizer que Sandra Oh está perfeita no papel é pleonasmo, mas a série teve a sorte de contar também com um elenco perfeitamente escalado. Com destaque para Everly Carganilla, a filhinha rebelde, Halland Taylor, a professora boca-suja, e até Jay Duplass, o errático interesse amoroso de Kim, que sozinho consegue descarrilar todos os problemas do enredo.

O que mais (me) agrada no projeto é que a qualidade do produto final não se perde nas situações que a fazem ter um selo Netflix. Além disso, a série ganha o espectador ao explorar o romantismo da literatura e da vida universitária, nos fazendo acreditar que Kim é, sim, uma doutora que cuida das pessoas por meio de seu trabalho.

Larissa Seixas
Jornalista especialista em Mídias Digitais. Escreve ficção mas também sobre filmes, séries e livros que gosta. É viciada em Jane Austen, comédia romântica, bolo de chocolate e (infelizmente) redes sociais.

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