“Young Sherlock” reimagina o famoso detetive mas não escapa da repetição

“Young Sherlock” reimagina o famoso detetive mas não escapa da repetição

Qualquer produção sobre Sherlock Holmes, o famoso personagem criado por Arthur Conan Doyle, desperta curiosidade imediata. Sem falar que histórias de detetive estão novamente em alta — basta ver a trilogia Knives Out de Rian Johnson ou as séries baseadas nos escritos de Agatha Christie que vêm sendo lançadas pela Netflix. Para manter o frescor de histórias já lidas e contadas tantas vezes, no entanto, é preciso reinventar certos elementos — ou, no caso de Young Sherlock, inventar praticamente tudo do zero.

Essa liberdade criativa é explorada pelo roteirista Matthew Parkhill (Deep State) ao conceber a série, disponível no Amazon Prime Video. Em Young Sherlock, acompanhamos o famoso detetive em seus dias de juventude, dividido entre as bobagens típicas da adolescência e pequenos mistérios que surgem no campus da University de Oxford. Com Guy Ritchie na direção — responsável também pelos filmes de Sherlock Holmes que fizeram sucesso nos anos 2000 estrelados por Robert Downey Jr. e Jude Law — a série, aliás, recria a mesma atitude estilizada e o ritmo ágil que marcaram aqueles longas.

O elenco de Young Sherlock reúne nomes conhecidos, como Colin Firth e Natasha McElhone, presenças que acrescentam certa maturidade ao conjunto sem comprometer o humor que a série tanto quer ser reconhecida. Quem interpreta Sherlock é Hero Fiennes Tiffin, rosto conhecido da franquia romântica After. E, em vez de sermos apresentados diretamente a Dr. John Watson — afinal, a proposta aqui é reinventar, não simplesmente recriar —, quem acaba ocupando parte desse espaço narrativo é James Moriarty, interpretado por Dónal Finn, um estudante de Oxford igualmente inclinado a se meter em confusão.

É importante mencionar que essas reimaginações são até comuns dentro do universo de Sherlock Holmes. Há alguns anos a série Elementary fez algo similar, transformando os casos em um procedural ambientado nos dias atuais. Teve algum sucesso na proposta por algumas temporadas, mas depois perdeu fôlego justamente por se repetir. Uma outra produção, Sherlock, essa de grande sucesso de audiência e crítica exibida pela BBC que revelou Benedict Cumberbatch, se mostrou bem mais capaz de usar os casos como uma mera adaptação para explorar outros caminhos dentro das histórias – e até dos próprios personagens.

Com tudo isso em mente, a única ideia que realmente parece funcionar em Young Sherlock é justamente essa ambientação universitária. Situar Sherlock em Oxford, em meio ao ambiente acadêmico e aos segredos guardados por professores — e até por outros alunos — cria um cenário interessante para os mistérios inspirados nos contos de Conan Doyle. Fora isso, porém, pouco há de realmente novo na abordagem. Guy Ritchie dirige os episódios com o mesmo estilo de seus filmes, abusando das coreografias perfeitamente ensaiadas nas sequências de ação, o que acaba dando à série uma sensação de repetição – na abordagem e no clima que oferece.

Young Sherlock (Prime Video, 2026)

Young Sherlock (Prime Video, 2026)
1.5 5 0 1
1,5 rating
1.5/5
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