“Socorro!” reúne suspense e humor no retorno de Sam Raimi

“Socorro!” reúne suspense e humor no retorno de Sam Raimi

Sam Raimi passou um longo período afastado do cinema — ao menos como diretor —, especialmente depois do sucesso da trilogia Homem-Aranha, estrelada por Tobey Maguire. Na sequência, lançou o ótimo Arraste-me para o Inferno (2009) e depois entrou em hiato, voltando a comandar um longa apenas com Doutor Estranho no Multiverso da Loucura. Ainda assim, é justamente em produções que evocam o espírito do “filme B” que mais se percebe seu talento e o motivo de ele seguir como uma voz importante do cinema, sobretudo no suspense e no terror.

Em seu novo trabalho, Socorro!, Raimi recupera esse terreno em que o exagero e os efeitos assumidamente artificiais não surgem como defeitos ou deméritos, mas como parte essencial do charme da própria narrativa. E há outro elo entre este filme e Arraste-me para o Inferno: ambos giram em torno de funcionárias ambiciosas. No longa de 2009, Christine (Alison Lohman) busca uma promoção e, para isso, nega a extensão de um empréstimo imobiliário a uma senhora idosa.

Agora, em Socorro!, acompanhamos Linda (Rachel McAdams, excelente), uma profissional competente e igualmente movida pelo desejo de crescer, embora seja constantemente subestimada. Quando Bradley Preston (Dylan O’Brien), herdeiro da empresa, assume o comando, ele logo frustra a promessa de promoção que o pai havia feito a Linda.

Naturalmente, a decisão cai como um balde de água fria em seus planos. Pouco depois, os dois embarcam, ao lado de outros funcionários, em uma viagem corporativa. O avião, porém, sofre um acidente. Após a queda, Linda e Bradley descobrem ser os únicos sobreviventes em uma ilha deserta. Mas Socorro! não é uma história tradicional de sobrevivência. O que Raimi constrói a partir daí é uma guerra psicológica — e também física — entre os dois.

Isolados naquele espaço, toda a dinâmica de poder se transforma. Ninguém ali manda em ninguém. Enquanto Linda demonstra habilidades práticas que a tornam uma sobrevivente perspicaz, Bradley representa o oposto: mal consegue improvisar uma cabana para se proteger da chuva, quanto mais encontrar alimento. Raimi explora bem essa nova convivência, primeiro como uma cooperação forçada, depois como disputa, manipulação e, por fim, como explosão de ressentimentos guardados dos dois lados.

Por trás dos sustos, da violência exagerada e dos efeitos grotescos assumidos (a sequência em que Linda enfrenta um javali é um ótimo exemplo), Socorro! comenta relações tóxicas no ambiente de trabalho, o machismo ainda predominante no mundo corporativo, a inversão de poder e o que acontece quando alguém acostumado ao privilégio se vê em uma situação em que ele já não vale nada.

Quando se aproxima do final, Socorro! se transforma em uma batalha insana entre chefe e funcionária naquela ilha. Mas também em algo mais intrigante, porque acompanhamos mudanças na personalidade de Linda que desafiam até onde estamos dispostos, como audiência, a torcer por ela. Muito disso passa pela ótima performance de Rachel McAdams. Raimi usa essa transformação a favor do filme e mantém tudo imprevisível até os créditos finais.

Socorro! (Send Help, 2026)

Socorro! (Send Help, 2026)
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Direção: Sam Raimi • Roteiro: Damian Shannon e Mark Swift • Elenco: Rachel McAdams, Dylan O'Brien, Edyll Ismail e Dennis Haysbert • Disponível: Disney+ • Duração: 113 minutos
Direção: Sam Raimi • Roteiro: Damian Shannon e Mark Swift • Elenco: Rachel McAdams, Dylan O'Brien, Edyll Ismail e Dennis Haysbert • Disponível: Disney+ • Duração: 113 minutos
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