“Sugar” encontra novos caminhos na 2ª temporada

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Em certo momento de Chinatown, obra-prima de Roman Polanski lançada em 1974, o detetive J.J. Gittes, interpretado por Jack Nicholson, resume a natureza do trabalho de um investigador particular: seguir o mistério até o fim, custe o que custar. É exatamente essa lógica que continua movendo Sugar, e o personagem-título, na segunda temporada da série da Apple TV — especialmente depois da revelação que encerrou o primeiro ano.

Antes de continuar, porém, um aviso: este texto contém spoilers da primeira temporada. Se você ainda não assistiu à série, talvez seja melhor voltar aqui depois.

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John Sugar não é humano, como fomos levados a acreditar durante boa parte da história. Ele é um alienígena enviado à Terra para observar a humanidade — e ainda não sabemos exatamente qual é o objetivo dessa missão. O que fica claro é que, fascinado pelos filmes noir e neo-noir de Hollywood, Sugar passou tempo suficiente entre nós para incorporar parte daquilo que veio apenas observar.

Agora mais sozinho do que nunca, depois que seus companheiros deixaram o planeta, ele decide permanecer para resolver um mistério que continua em aberto: o desaparecimento de sua irmã. O novo caso da temporada dialoga diretamente com essa busca pessoal quando Sugar aceita investigar o sumiço do irmão de um boxeador sul-coreano.

Um detetive entre dois mundos

É justamente aí que Sugar encontra novos caminhos. Sem abandonar as referências ao noir que definiram a primeira temporada, a série amplia o olhar para personagens que ocupam as margens de Los Angeles: imigrantes, gangues de motociclistas e pessoas igualmente solitárias, tentando sobreviver numa cidade que parece incapaz de acolhê-las.

E se a série continua funcionando tão bem, boa parte do mérito é de Colin Farrell.

Sua atuação é tão convincente que rapidamente deixamos de enxergar um ator interpretando um alienígena vivendo entre humanos — enxergamos apenas Sugar: um personagem permanentemente dividido entre seguir o próprio código e compreender um mundo que insiste em desafiá-lo. Farrell domina cada cena sem recorrer a grandes explosões dramáticas.

Há uma delicadeza impressionante nos pequenos gestos, como quando visita a avó de um jovem assassinado e, diante da pergunta “o que você pode fazer?”, simplesmente se levanta para lavar a louça. É um momento silencioso que diz muito sobre quem Sugar se tornou depois de tanto tempo na Terra.

Como alguém apaixonado pelo noir, confesso que Sugar continua sendo uma das séries mais interessantes em exibição hoje. Não apenas pela investigação — que faz cada resposta levar naturalmente a uma nova pergunta —, mas porque a série entende aquilo que sempre tornou esse gênero fascinante: o mistério nunca é apenas o caso. É também o personagem que tenta resolvê-lo.

E, neste momento, poucos investigadores parecem tão interessantes de acompanhar quanto John Sugar.

Sugar (2ª Temporada • Apple TV)

Sugar (2ª Temporada • Apple TV)
4 5 0 1
4/5
Total Score

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