‘Homeland’ se mantém no ar graças ao noticiário político

As últimas semanas foram corridas: mudanças, resolução de pendências, organização de documentos e muita paciência requisitada para não surtar entre um problema e outro. Por isso, o blog ficou desatualizado. E também porque não tenho conseguido assistir muita coisa. Mas em breve tudo isso volta ao normal, é só mesmo uma questão de tempo. Porém, acreditem ou não, eu ainda assisto Homeland. E estou praticamente em dia com a série.

Confesso que não foi fácil manter a assiduidade de assistir Homeland, mas desde a quinta temporada que a série vem aprendendo a se reinventar para continuar relevante. O objetivo vem sendo cumprido, apesar do sexto ano irregular e inconsistente. A nova temporada, que estreou há pouco mais de um mês nos Estados Unidos, não está tão diferente e responde por um baixo convencimento por parte da história que está sendo contada. Mas, mesmo assim, Homeland guarda bons momentos. Abastecida, é claro, pelo noticiário político explosivo responsável pelas tensões em todo o mundo.

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‘Projeto Flórida’ retrata desigualdade através do olhar infantil

Ouço reverberando de vez em quando uma frase que ouvi em um curso que fiz sobre o fato de nos tornarmos pessoas sérias demais quando ficamos adultos. “Não perca a criança que existe (ou uma vez existiu) dentro de você”, é o que eu ouço. No centro e no coração da sua narrativa, essa é a mensagem de Projeto Flórida, filme dirigido por Sean Baker (do ótimo Tangerine). Ambientado em um projeto habitacional, a história é contada através do olhar de Moonee (a adorável Brooklynn Kimberly Prince) e acompanha seu cotidiano e de outras crianças morando tão próximas de um paraíso: a Disneilândia.

Projeto Flórida nos leva ao parque de diversões de Moonee. A utopia do lugar encantado da Disney ganha o mesmo tipo de tratamento nos nomes dos projetos habitacionais, que vão desde ‘Magic Castle’ a ‘FutureLand’. Moonee transita entre esses dois lugares, vista de longe por sua mãe Halley (Bria Vinaite), que ganha a vida como pode fazendo bicos, e o síndico Bobby (Willem Defoe), que cotidianamente precisa correr atrás das crianças e lidar com as bagunças que elas aprontam.

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‘Trama Fantasma’ tem história imprevisível e cheia de estilo

O mesmo mistério que permeou o lançamento de Trama Fantasma até praticamente a sua estreia também é o que norteia a narrativa do novo filme de Paul Thomas Anderson, o oitavo da sua carreira e o primeiro ambientado inteiramente na Inglaterra. Escrito pelo próprio diretor, o filme é imprevisível ao construir com esmero afinco as personalidades dos seus personagens. Trama Fantasma acompanha Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis, em provável última atuação) e sua obsessão e genialidade em desenhar vestidos que são usados pela alta classe britânica e a realeza europeia.

Mas logo nos primeiros quadros de Trama Fantasma, Paul Thomas Anderson faz questão de mostrar que o ambiente onde a narrativa se desenvolve, a Casa de Woodcock, é rodeado por estranhezas e manias que têm um único objetivo: respeitar o processo criativo de Reynolds. Quando ele é confrontado logo no café da manhã por uma de suas modelos, fica nítido o quanto Reynolds é um homem de difícil convivência, capaz de ser entendido (ou compreendido) apenas por sua irmã, Cyril (Lesley Manville). Ao tirar o final de semana de folga e partir para o campo, ele conhece a misteriosa Alma (Vicky Krieps), uma simples garçonete e por quem Reynolds imediatamente se interessa.

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‘Here and Now’ tem potencial, mas a estreia é uma bagunça

Após uma hora de episódio, tudo o que se consegue pensar é: “o que é isso que eu acabei de assistir”? A nova série de Alan Ball (Six Feet Under, True Blood) para a HBO, Here and Now, é uma colcha de retalhos de histórias de uma família que pouco a pouco vamos descobrindo e desvendando seus mistérios. No início parece que Alan Ball está tentando catequizar a audiência, transformando o título homônimo da série em um mantra que se repete não só nos diálogos dos personagens, mas também em certas inserções nas imagens que assistimos.

Mas se a primeira metade é marcada por essa ideologia de viver e experienciar o “aqui e agora”, a outra parte do episódio é bem mais interessante ao se concentrar na história familiar. O gancho para construir a trama é o aniversário de 60 anos de Greg Bishop (Tim Robbins, um espetáculo), professor de filosofia e passando por uma crise existencial (pura balela, o cara trai a mulher e quer discutir filosoficamente seus conflitos) que se intensifica na data comemorativa. Enquanto isso, a sua mulher Audrey (Holly Hunter, também muito bem) planeja a festa (quer mesmo é passar a impressão de família unida e moderna) e se preocupa em juntar os filhos, os adotivos e a única biológica.

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‘Eu, Tonya’ usa o sarcasmo para retratar polêmicas de patinadora

Apesar de gostar muito de esportes, eu nunca tinha ouvido falar em Tonya Harding, patinadora de gelo americana que teve uma carreira conturbada e cheia de altos e baixos. Mas eu não sabia disso até assistir Eu, Tonya, a cinebiografia que tenta jogar luz nas polêmicas e rebeldia da atleta. E eu achando que o filme seria uma dessas biografias tradicionais que narra os desafios superados por esportistas que os fizeram alcançar a fama, os prêmios e o respeito. Mas nada disso está alinhado à carreira de Tonya Harding, interpretada brilhantemente por Margot Robbie.

Abandonada pelo pai e criada pela mãe insana, LaVona Golden (Allison Janney, também em grande atuação), Tonya seguiu por uma infância difícil e de muita pressão desde cedo para conquistar os louros que o seu talento como patinadora lhe reservariam. No entanto, ninguém levou em conta os seus próprios conflitos e seus traumas de infância, que a transformaram em uma jovem rebelde, insegura e sem nunca se sentir confortável em se encaixar dentro de um modelo perfeito que tanto era levado em contato dentro do esporte que ela praticava. E isso barrava o seu sonho de fazer parte do time americano de patinação que competiria nos jogos olimpícos.

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