A era da redundância na televisão ou onde vamos parar com tantos streamings

A era da redundância na televisão ou onde vamos parar com tantos streamings

Esses dias fui surpreendido pela notícia de que Prison Break (2005), uma das melhores séries lançadas nos anos 2000, estaria novamente sendo preparada para um revival com selo da Disney (na verdade, é o Hulu) e pelo mesmo criador de Mayans M.C. (um derivado de Sons of Anarchy) O comunicado diz, no entanto, que o elenco será renovado. Os mesmos produtores da série original estarão envolvidos. Mas a pergunta fica: por que?

Uma pesquisa rápida mostra que esse tem sido um movimento comum. Apesar de tantos serviços de streaming, com muitas séries sendo desenvolvidas e lançadas que mal temos tempo de digerir tudo que sai, o fato é que poucas conseguem se estabelecer e se conectar com a audiência.

Particularmente, sinto essa dificuldade: hoje, ao entrar nos mais diversos serviços de streaming à procura de alguma coisa para assistir, a busca é árdua. Quase sempre desisto. No momento, estou revendo Mad Men, por exemplo. Não por nostalgia, mas porque realmente é muita produção e quase nenhuma qualidade. E, especificamente com Mad Men, me sinto mais preparado agora para refletir sobre alguns debates que a série expõe.

É claro que existem séries atuais que capturam o espírito e essência disso que estou divagando, como The Bear, Reservation Dogs, The Last of Us, Chernobyl e mesmo Cangaço Novo, uma produção brasileira que não deve em nada para o que é feito lá fora. Esse é um ponto positivo do streaming, aliás, já que a produção nacional ganhou mais espaço.

Mas sem desviar tanto do assunto, fiz um levantamento rápido de algumas séries que foram “ressuscitadas” na tentativa de capturar a mesma audiência que uma vez a elevaram ao sucesso em tempos passados.

Entre elas dá para citar Dallas, Full House/Fuller House, Roseanne/The Conners, Mad About You e Sex and the City/And Just Like That. E sabe quantas delas continuam em exibição? Apenas o revival de Sex and the City.

A crítica e jornalista de entretenimento da revista TIME, Judy Berman, definiu bem essa fase da televisão marcada pelos serviços de streaming em um termo que resume bem a discussão: após a Era de Ouro (ou Peak TV, como ficou conhecida), hoje vivemos a Era Redundante da TV.

Entramos no mundo exaustivo das franquias, das histórias licenciadas (como Star Wars e The Witcher), dos derivados ou dos revivals enquanto somos inundados por tantas produções de qualidade questionáveis.

Há um limite, porém, e talvez o impacto do streaming esteja em um ponto de virada como bem explicou esse artigo da Vulture.

A divisa está no nosso bolso, já que a renda disponível para assinar tantos serviços cobra o seu preço. E esse investimento não está tendo retorno.

Texto originalmente publicado na newsletter Sob a Minha Lente (link)