Entre o noir e o Homem-Aranha, “Spider Noir” fica no meio do caminho

spider noir

A última vez que uma produção de super-herói realmente me conquistou foi com The Penguin. Não apenas porque a série da HBO funciona muito bem como entretenimento e complementa o novo universo de The Batman que Matt Reeves está construindo, mas principalmente por conseguir trazer novas camadas para um personagem — e uma cidade — já explorados tantas vezes.

É justamente aí que Spider Noir, série que estreou no Prime Video, tropeça. Não apenas pela confusão sobre ser ou não uma história que complementa Homem-Aranha no Aranhaverso, mas também por não apresentar nada de realmente novo para um personagem que já conhecemos de outros carnavais.

Ambientada na Nova York dos anos 1930, durante a Grande Depressão, a trama acompanha o detetive particular Ben Reilly (Nicolas Cage), que há muito tempo abandonou sua identidade como Homem-Aranha — e a luta contra o crime organizado — para tentar levar uma vida comum. Mas as coisas mudam quando ele é contratado pela cantora Cat Hardy (Li Jun Li), que mantém relações próximas com a máfia local liderada por Cabelo Prateado (Brendan Gleeson). À medida que a situação se torna cada vez mais perigosa, Reilly precisa recuperar a identidade que deixou para trás.

Visualmente, Spider Noir impressiona. Com versões disponíveis tanto em cores quanto em preto e branco — escolhi a segunda, por se tratar de um noir — a série abraça o gênero não apenas nos aspectos técnicos, mas também nos elementos que o definem: a femme fatale pronta para desafiar expectativas e um protagonista que se aproxima mais de um anti-herói do que de um herói tradicional.

Na trama policial, parece que estamos diante de um daqueles grandes clássicos noir da velha Hollywood, ainda que as reviravoltas raramente sejam tão surpreendentes quanto as daqueles filmes.

Entre o noir e o Homem-Aranha

Nesse sentido, Spider Noir funciona bem como homenagem ao gênero. Mas, quando a narrativa parte para o sobrenatural, a série passa a expor suas fragilidades. Apesar de Nicolas Cage fazer o possível para sustentar a proposta, é difícil se envolver com as cenas de ação. E, no lado investigativo, há pouca química entre os personagens capaz de manter nosso interesse. Quem mais se aproxima disso é a dupla formada pelo jornalista Robbie (Lamorne Morris) e o próprio Reilly.

Outra fragilidade está no fato de a série não oferecer nada de realmente novo para um personagem tão conhecido. Em alguns momentos, ela acaba reforçando justamente a fadiga que parte da audiência já sente em relação às produções da Marvel — ou inspiradas em personagens da Marvel. Talvez não exista mesmo muito mais a explorar, a não ser resgatar heróis alternativos e tentar encaixá-los no já complicado universo compartilhado da editora, que, confesso, já nem sei em qual fase está.

Spider Noir funciona melhor justamente quando deixa os super-heróis em segundo plano. É algo parecido com o que acontece em Andor: a série se destaca porque fala pouco de jedis, sabres de luz e outros elementos centrais da mitologia de Star Wars. Aqui acontece algo semelhante.

Mesmo com uma trama investigativa que pouco se sustenta e recheada de clichês que parecem existir mais por obrigação do gênero do que por necessidade da história, seus melhores momentos surgem justamente quando a série se comporta como um noir. O problema é que ela nunca consegue decidir se quer ser isso ou mais uma história de super-herói.

Spider Noir (Prime Video)

Spider Noir (Prime Video)
2 5 0 1
2,0 rating
2/5
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